A primeira edição do Encontros Performance aconteceu no Centro Cultural Rio Verde na segunda quarta-feira de outubro, outros encontros estão previstos para as segundas quartas-feiras dos próximos meses. Foi uma manifestação estética de vanguarda, bem organizada, amparada no trabalho anterior do grupo, influenciado por Gerald Thomas, pelo teatro de Vertigem, entre outras referências.

Ruy Filho, diretor do Grupo de teatro Antro Exposto conseguiu alcançar o mais difícil, uma identidade teatral de trabalho, uma linguagem instigante e inovadora. Durante a noite impactante, as pessoas estavam livres para participar das manifestações, descansar, comer e beber dentro do espaço do Centro Cultural. Projeções de vídeos, trabalhos de percussão, distorções sonoroas, performances teatrais e projetos de artes plásticas ocuparam os vários ambientes do casarão de tijolos na Vila Madalena. Tudo isso simultaneamente, acompanhado por um ruído de britadeira que aumentava de súbito, incomodando o público.

As fotos abaixo sobre a montagem plástica e teatral que recebeu o nome de “Casulo do Nascimento”.

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Entrada do Centro Cultural na rua Belmiro Braga. Performance do "Casulo..."

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Em homenagem à querida Thay, ex-colega de redação, porque eu sei que ela gosta muito dessa música. A montagem de slides é mal feita, mas mostra essa coisa tão Brasil, tão singela, tão à toa. Tão alegria freak.


Legendado

05Nov09

Trecho do post do Domingos de Oliveira, diretor de cinema. Depois de algumas horas à deriva pela internet, pesquisando sites sobre cinema, não consegui deixar de ler esse movimento crítico chamado “Dogma Fúria“.

“O DOGMA DO FÚRIA

1. Fazer com que o DOGMA FÚRIA se transforme em padrão de qualidade. O DOGMA não é obrigatoriamente uma declaração de pobreza.

2. Todo grupo tem de ter seu líder. Ou diretor. O diretor, no caso, Domingos Oliveira, não é um cargo. É uma função. A função de ter a última decisão sobre qualquer assunto que concerne ao grupo. O diretor é uma pessoa eleita pelo grupo pra realizar essa indispensável função.

3. O caso de discordância inconciliável do grupo com seu diretor representará para nós um momento de alegria, posto que representa a criação de um novo grupo (que deverá chamar-se Fúria 2) representado por outro diretor.

4. As aulas, palestras, transmissão de conhecimentos e até notas de ensaio feitas pelo diretor do Grupo Fúria devem ser lições de liberdade e conter sinceramente a máxima de Nietzsche, “quem for meu discípulo que não me siga”.

5. O ator tem a obrigação de seguir, mesmo discordando, as instruções do diretor. Fazer com toda a entrega duas ou três vezes. Se ainda assim discordar, deve criar uma contenda séria com o diretor. Chegam a um acordo ou mesmo a destruição do projeto. Não queremos por aqui atores obedientes.

6. Há algo no ator que depende do que ele é. Os invejosos, autopiedosos, excessivamente competitivos serão naturalmente excluídos do grupo”.

Para quem gostou tem mais lá:

http://www.dodomingosoliveira.blogspot.com/


Chorávamos Terra Ontem à Noite

Dois irmãos se encontram, após anos de separação, para discutir suas mágoas e dividir os bens depois da morte do pai numa antiga casa interiorana.

Instituto da Memória Capobianco Rua Álvaro de Carvalho 97. Centro. Amanhã, 21hs. Grátis

Na quarta-feira acontecerá uma apresentação gratuita  do belo texto de Eduardo Ruiz que juntamente com Bruno Elisabetsky e Gustavo Sol pretendem desenrolar essa proposta de dramaturgia e cenografia contemporânea . Esteve em cartaz em agosto no Tusp, será mais uma chance para quem não compareceu de refletir sobre a morte, seus conflitos e presenciar a interpretação desses atores. O espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell de dramaturgia.

 

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Estilhaço

Na história, uma pessoa está presa a suas memórias e tradições e reflete se as coisas poderiam ser diferentes.

Teatro Commune – Rua da Consolação, 1218. Centro. Tel. 2476 – 0792. Hoje ás 21hs.

A peça do Joca, apelido carinhoso para Jorge Peloso Azevedo, formado em Artes Cênicas pela Unesp, também da Vivianne Kiritane, linda cenógrafa, figurinista e arquiteta. Saiu na Folha de S. Paulo referêcia para peça deles. Colegas do projeto Vila Itororó, amigos de desabafo, de cervejas sem compromisso, de parcerias criativas, de discutir política e o papel da mídia na sociedade. Livremente inspirado no texto ”Bercause” de Samuel Beckett, marca a estreia da Cia. do Estilhaço.

 

Jorge e Eunice num sábado chuvoso, num barzinho do Bexiga


lugares

30Out09

Não precisava ser exatamente no sul de Minas. Ouro Preto com seus fantasmas é muito mais interessante. Essa era a impressão ao caminhar por aquelas ruas, a iluminação apesar de elétrica é muito pouca e localizada em laternas de ferro presas nas paredes dos casarões de séculos atrás. Sombras acompanham caminhadas noturnas.

Descer a rua Direita, à direita do presídio, é lá que parece acontecer a vida noturna da cidade repleta de repúblicas de estudantes. Carros não se adaptam bem àquela paisagem de curvas e pedras e ruas estreitas. Ladeiras íngremes roubam o fôlego dos visitantes. Um lugar escondido numa travessa chamou atenção por ser subterrâneo, era uma senzala, mas hoje é um pub. Ainda conserva o chão de terra e os  ferros nas paredes deixam nítida a memória das torturas sofridas pelos escravos.

Foi de lá que escrevi a mensagem para um ex colega de faculdade, dizendo que estava num lugar inacreditável e que sentia muita falta da sua companhia. Provavelmente ele estaria em Bauru a centenas de quilômetros dali em alguma mesa ao ar livre, morrendo de calor, como sempre se morre de calor no interior de São Paulo. E ele respondeu perguntando onde eu estaria? Foi então que percebi que o teclado do celular não seria exatamente a ferramenta ideal para descrever aquele misterioso lugar.

Doze igrejas. Ou quinze. Não lembro com tanta precisão, algum guia turístico respondeu-me que foi contriuída uma igreja para cada hora do dia, com o dinheiro da extração de ouro. Pessoas foram esquartejadas aqui e ali, enforcadas, acorrentadas. E uma boa parte desse ouro foi colocado nas igrejas.


Às vezes um pouco de ar, sair para andar à tarde, fazer coisas diferentes das que estou acostumada a fazer. Dirigir por ruas diferentes, procurar caminhos, pensar na vida. Pensar em todas essas informações. As frases do filme do Paulo César Saraceni passando de vez em quando pelos meus pensamentos. O jornalista pergunta para sua linda amante, sentada num sofá, com um elegante vestido de flores num fundo preto “será que você poderia parar de pensar em família e no nosso relacionamento, pelo menos um pouco?”.

Saudade das notícias de política escritas com aquele fervor de antes da primeira eleição do presidente Lula, vontade de ler uma revista econômica inteira. Preciso concordar (isso acontece até instintivamente), com o personagem masculino. Ela deveria parar de pensar no relacionamento pelo menos um pouco. Mesmo com indignação, ter uma vida confortável de dona mansão, como a protagonista do filme levava, não parecia ruim. Então as coisas sempre foram assim, mulheres casam-se com homens ricos, apaixonam-se pelos poetas e o trabalho delas não têm a menor importância.

Pobres sonhadores inconsequentes essas pessoas que gostam de literatura. Algumas samanas atrás, li um ensaio literário do Mário Vargas Llosa onde estava esse trecho que coloco a seguir, com o qual concordo plenamente, mas não imagino como deveria agir nessas situações. Sempre escuto esse tipo de comentário também, e ainda, profissionais de outras áreas, médicos, engenheiros, advogados interessados em trabalhar com jornalismo. Quem sabe eu não decida ser atriz? Ou dramaturgia, seria até interessante. Fora arquitetos, que em geral, acreditam que o trabalho da imprensa seja desnecessário e elitista, com o velho refrão ”os meios de comunicação estão vendidos”.

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Muitas vezes me ocorre, nas feiras de livros ou nas livrarias, que um senhor se aproxime de mim com um livro meu nas mãos e me peça para autografá-lo, especificando: “É para a minha mulher, ou minha filha, ou minha irmã, ou minha mãe; ela, ou elas, são grandes leitoras e são apaixonadas por literatura”. E eu lhe pergunto, de imediato: “E o senhor, não é? Não gosta de ler?”.

 A resposta chega pontual, quase sempre: “Bem, sim, é claro que gosto, mas eu sou uma pessoa muito ocupada, sabe como é”. Sim, sei muito bem, porque ouvi essa explicação dezenas de vezes: esse senhor, esses milhares de senhores iguais a ele, têm tantas coisas importantes, tantas obrigações e responsabilidades na vida, que não podem desperdiçar seu tempo precioso passando horas e horas imersos num romance, num livro de poemas ou num ensaio literário (…).

 

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As boas notícias - Primeiro de novembro esse blog noitevazia completará um ano de existência. Dá um certo orgulho, no começo não acreditava conseguir manter o ritmo por mais de duas semanas. Pretendo comemorar com muito estilo e cercada de bons amigos.



mais uma vez!

27Out09

é a primeira música repetida aqui, porque eu gosto muito dessa sonoridade latina…


 

o tal do conto da Lygia Fagundes Telles:

 A DECISÃO

O homem entrou em casa e com passadas firmes foi reto procurar a mulher que estava na cozinha , enchendo a chaleira d’água. Ele tinha a cara rubra, os olhos brilhantes, mas os lábios estavam brancos e secos, teve que passar a ponta da língua entre eles para separá-los, a saliva virou cola? Antes de dizer o que estava querendo dizer a cinco anos e não dizia, adiando, adiando. Esperando uma oportunidade melhor e faltava a coragem, esmorecia, quem sabe na próxima semana , depois do aniversário do Afonsinho?  Ou em dezembro depois do aumento no emprego, teria então mais dinheiro para enfrentar duas casas – mas o que é isso aumento nos vencimentos e aumento na inflação? Espera agora Georgeana pegou sarampo deixa ela ficar boa e então. E então?! Hoje,  HOJE! Tinha que ser hoje, já! As grandes decisões eram assim mesmo, como numa batalha, seguir a inspiração do momento e o momento era inadiável, maduro, estourando como um fruto , ele estourando também, aproveitar essa energia de lutador que lhe viera de um jato, sentiu-se um Napoleão, iluminado, o dedo apontado na direção do inimigo, avançar! Avançou e a fala ficou sem pausa e sem hesitação, fala treinada há cinco anos, ir no alvo, depressa! ia deixá-la, era isso, deixá-la por que estava loucamente apaixonado por outra e de joelhos pedia perdão pelo desgosto e pelo sofrimento, está certo, podia chamá-lo de crápula, por deixar uma esposa tão perfeita e uns filhos tão queridos mas se ficasse a vida acabaria num inferno tão insuportável que era melhor dizer tudo agora porque iria morrer se não dissesse está coisa que lhe caíra na sua cabeça como um tijolo, essa paixão avassaladora, talvez se arrependesse um dia e até se matasse de remorso, mas agora tinha que confessar, estava apaixonado por outra e ela devia entender e mais tarde os filhos iam entender também que tinha que ir porque estava APAIXONADO POR OUTRA – você está me ouvindo?

A mulher pelejava para acender o fósforo úmido, não conseguiu, riscou outro palito e o palito falhou e experimentou um terceiro enquanto lhe gritava que chegasse dessa brincadeira besta, já não bastavam as crianças que hoje estavam impossíveis e ele agora atormentando, hein?! Empurrou-o na direção da porta, mas vamos, não fique aí com essa cara, depressa, vá buscar uma caixa de fósf… ah! graças a Deus que este não molhou, vontade de um café bem quente, café com pão, de qualquer jeito ele tinha que sair para buscar pó de café e depressa que logo, logo a água estaria fervendo, queria o pó moído na hora e meia dúzia de pãezinhos que deviam estar saindo do forno e levasse também o Júnior que estava se pegando lá com o irmão, mas se mexa, homem! está com o dinheiro aí? E claro, também um pacote de fósforos da marca Olho (e riu) que este é marca barbante para não dizer outra marca que começa com m (enxugou as mãos no avental), como se não bastasse as gracinhas do filho e também ele com as brincadeiras debilóides, um pouco velho para brincar assim, não?

O homem pegou o Júnior pela mão, foi buscar o pó de café, os pãezinhos, os fósforos e não brincou mais.